Coluna: Curiosidades da Música – Raul Rufo
Com mais de 50 milhões de visualizações mensais, os vídeos de Raul Ruffo combinam jornalismo cultural e música,
jogando luz sobre algumas “fofocas” que fizeram nascer grandes sucessos.
Cantor, músico, compositor, produtor musical, jornalista, e criador de conteúdo digital,
Raul Ruffo lança uma olhar diferente, impactante e emocionante, sobre acontecimentos da música brasileira e mundial, enquanto canta e toca.
O cara que fez essa música foi, por muito tempo, o principal letrista da banda dele.
As letras dele ajudaram o grupo a chegar no topo das paradas naquela época, e ele estava muito feliz e confiante com isso. Tinha certeza de que os colegas de banda reconheciam o mérito dele.
Até que um dia marcaram uma reunião. Eles estavam começando a produzir o terceiro disco e falaram que, para esse novo trabalho, não iam usar nenhuma música dele. Iam escrever sem ele.
Ele ficou muito decepcionado. Foi um trauma. Mas sabia que eles não estavam fazendo aquilo por causa da qualidade das letras dele. O motivo, na cabeça dele, estava muito claro.
A briga pelos direitos autorais
Ele escrevia as letras e os outros quatro integrantes faziam a melodia. Só que, como ele escrevia as letras sozinho, ficava com metade dos direitos autorais das músicas. Os outros 50%, os quatro colegas de banda dividiam entre eles. E ele não quis abrir mão da metade que tinha direito de receber sozinho, como letrista, para repartir igualmente com os colegas.
Essa postura não agradava muito aos colegas de banda, que resolveram tomar uma atitude. Depois de vetá-lo como compositor, os outros quatro foram compor as músicas para o novo disco. E ele continuou escrevendo, em casa, no caderninho, as letras que gostava de fazer.
Uma semana se passou e os caras não conseguiam escrever nada à altura dos sucessos da banda. O grupo estava em alta, todo mundo estava com a expectativa lá em cima para esse novo trabalho. Então os quatro foram obrigados a voltar atrás. Perguntaram para ele se tinha feito alguma letra boa nesse período afastado e pediram para que levasse ao ensaio.
Os últimos dias tinham sido difíceis para ele, e esses momentos sempre faziam com que escrevesse mais. O caderninho dele estava recheado. Ele então destacou uma letra que nasceu do contato dele com o pior lado da humanidade. Dobrou a folha, colocou no bolso e foi para o ensaio.
A letra que sumiu
Chegando lá, falou confiante para a galera que tinha uma letra na qual realmente acreditava muito. Colocou a mão no bolso para pegar o papel, mas não tinha nada. A letra tinha sumido.
Falou para os colegas que ia pegar a letra no carro. Mas a folha também não estava no carro. Como é que ele ia voltar para a sala de ensaio sem letra nenhuma? O retorno dele tinha que ser triunfal.
Nesse momento, ele pegou papel e caneta, se trancou no banheiro e começou a escrever, tentando lembrar o que tinha feito antes. Um desabafo sobre a falsa paz social baseada no medo e no silêncio, denunciando a desigualdade e o conformismo da sociedade brasileira.
*A minha alma tá armada e apontada / Para cara do sossego! / (Sêgo! Sêgo! Sêgo! Sêgo!)*
Marcelo Yuka saiu do banheiro com essa letra toda escrita e apresentou para os colegas do Rappa. O Falcão conta que eles ficaram durante sete horas tentando encontrar uma melodia para esse texto, e, quando faltavam cinco minutos para o ensaio acabar, ele conseguiu encontrar um jeito de cantar.
*As grades do condomínio / São pra trazer proteção / Mas também trazem a dúvida / Se é você que tá nessa prisão*
Marcelo Yuka disse que essa letra que fez no banheiro não chega nem perto da que ele perdeu no bolso da calça.
E ele tinha tanta certeza de que a outra letra era melhor que, no livro dele, ele escreve: se gostam dessa merda, imaginem da outra.
A letra original nunca foi encontrada.