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Encontrar a maternidade para além das fraldas e mamadeiras

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A maternidade tem o poder de transformar profundamente uma mulher. Certamente todo mundo já ouviu a célebre frase: “depois de ser mãe, nunca mais fui a mesma”. Podemos quase afirmar que, sequer lembramos quem éramos antes de carregar um filho no ventre. O nascimento de um bebê marca um novo tempo, uma nova fase. 

 

Em meio à tantas mudanças descobrimos um poder antes invisível que há dentro de cada mãe. Uma força silenciosa que morava dentro da mulher, transforma-se agora em combustível para defender e proteger a sua cria, de qualquer um, em qualquer situação. 

 

Estabelecida a maternidade, em 1, 2 ou 3 anos, cada uma no seu tempo, surge uma pergunta: quem eu era antes da maternidade? Não é um questionamento de arrependimento, mas de reconhecimento, do caminho que muitas vezes é necessário percorrer para lembrar da mulher que existia, muito antes da mãe.

 

 

Embora essa maternidade te conceda mais um título a camada feminina, ela não anula o que você era antes de ser mãe, ou pelo menos, não deveria. É assim que me sinto todos os dias, buscando os reencontros com minha essência de menina, filha, amiga, para que todas as versões se completem e formem o melhor modelo possível de mãe que desejo ser. 

 

É muito comum que deixemos todas essas versões para trás, em busca de ser um exemplo perfeito para nossos filhos. E não estamos erradas. Afinal, ser um bom exemplo dá um trabalhão, não porque não sejamos suficientemente boas para eles, mas porque muitas vezes buscamos uma perfeição que não existe, que está no nosso imaginário.

 

Filhos não precisam de uma mãe perfeita, mas sim de uma mãe real.

 

E como ser real sem juntarmos tudo que temos dentro de nós, todo nosso aprendizado desde criança, nossos sentimentos, nossas vivências e experiências? Cabe ressaltar aqui que as experiências são individuais, então é bom sabermos que sua criança também terá as experiências dela. E isso é papo para outro texto. 

 

Preservar a identidade para além dos filhos, é lembrar dos hobbies de juventude, de começar aquele curso engavetado, de aprender o instrumento musical que você tanto admira. Eu já comecei pelo piano!

 

A maternidade transforma, mas não apaga.

Ela abre novas possibilidades, profissões são redesenhadas, projetos são refeitos.

 

Assim como quando você recalcula a sua rota no GPS, deixar a maternidade te encontrar é sobre deixar você ser quem sempre foi, é se realizar não só por meio dos sonhos da sua família (que já é muito grandioso), mas é também realizar os seus desejos, os seus sonhos.

É deixar o seu talento fluir para além dos cuidados maternos, que você realiza com maestria.

Deixar que a mãe e mulher que existe se encontrem é caminhar juntas para um versão muito mais completa, consciente e verdadeira de si mesma.

 

Coluna: Mais que Mãe – Aliene de Carlli

 

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