Essa música acabou se transformando numa homenagem a toda brasileira que luta para sobreviver e mesmo assim consegue esperança pra sonhar.
Em 1966 o cara que fez essa música tinha 5 anos.
Ele morava em Ipanema, no Rio de Janeiro, e nesse ano começou a trabalhar na casa dele, uma mulher como empregada doméstica.
O nome dela era Gessy.
A Gessy tinha 4 filhos e 10 enteados.
Na casa dele ela lavava roupa, cuidava da casa e ainda ajudava a cuidar dele e do irmão.
Ela acabou trabalhando na casa da família dele por mais de 40 anos.
Viu ele crescer, começar a se interessar por música, formar a banda, os ensaios em casa.
Depois viu ele fazendo sucesso, ficando famoso… Ela estava presente o tempo todo e dois cultivavam um carinho muito grande um pelo outro.
Em 1995, a banda dele foi fazer um show em Nova Iguaçu, na região metropolitana do Rio, no bairro Miguel Couto.
E ele lembrou que a Gessy morava nesse bairro, Miguel Couto, em Nova Iguaçu. Até pensou que ela poderia tá lá no show.
Como o show era ali mesmo no Rio, ele estava indo de táxi pra lá.
Saiu de Ipanema em direção ao Miguel Couto, em Nova Iguaçu, pegaram a Via Dutra e andaram….
E andaram…..
E nunca chegava.
Ele começou a ficar inquieto e a perguntar para o motorista se já estava chegando.
Ficou lá impressionado com a distância do lugar.
“Nossa, que lugar longe, não chega nunca….”
Até que uma ficha bem grande caiu na cabeça dele e ele começou a pensar:
“Pera aí a Gessy vai e volta todo dia pra minha casa por esse caminho?
Eu estou dentro de um carro, com motorista e ar-condicionado e não estou aguentando mais..
Como que a Gessy faz isso tudo de ônibus?
Que horas ela acorda pra chegar lá em casa às 8h?. 4 e meia da manhã?”
“Janaína acorda todo dia às quatro e meia
E já na hora de ir pra cama, Janaína pensa
Que o dia não passou”
Bruno Gouvea, do Biquini Cavadão, depois de se impressionar com a distância que a empregada doméstica Gessy percorria todos os dias para chegar na casa dele, perguntou pra ela no outro dia que horas ela acordava.
A Gessy respondeu sorrindo que acordava 4 e meia, caminhava por 20 minutos e pegava 3 conduções.
“Que repartem sua vida”
Só que a Gessy não falava isso como se fosse um peso. Ela falava com alegria.
Com a leveza de quem sabia que aquele era um caminho pra melhorar de vida.
“Mas ela diz
Que apesar de tudo ela tem sonhos
Ela diz
Que um dia a gente há de ser feliz”
A Gessy continuou trabalhando com a família do Bruno até quase completar 80 anos, mesmo aposentada. Ela não queria parar de trabalhar pra não envelhecer.
Em 2025, aos 86 anos, Gessy descansou.