
VIDA ATIVA
Por Fabiana Murer
Bicampeã mundial no salto com vara e participante de três Olimpíadas, Fabiana Murer transformou sua experiência no esporte em conhecimento técnico sobre movimento, corrida e vida ativa. Criadora do Método Murer, hoje ajuda pessoas a retomarem a rotina de exercícios com orientação, segurança e constância.
Canelite: por que essa dor na canela aparece e o que fazer para voltar a correr sem dor
A canelite é uma das lesões mais comuns entre corredores. Entender suas causas e agir logo nos primeiros sintomas pode evitar que uma simples dor evolua para uma lesão mais séria.

Você começou a caminhar ou correr, aumentou o ritmo dos treinos e, de repente, apareceu uma dor na canela. No início ela incomoda apenas durante a atividade. Depois passa a surgir logo nos primeiros minutos do treino e, em alguns casos, continua até mesmo durante a caminhada.
Essa é uma das lesões mais frequentes entre corredores e recebe o nome popular de canelite, conhecida cientificamente como Síndrome do Estresse Tibial Medial. Apesar de ser comum, ela nunca deve ser considerada normal.
A canelite é causada por uma sobrecarga repetitiva na região interna da tíbia. Em outras palavras, o osso, os músculos e os tendões estão recebendo mais carga do que conseguem suportar naquele momento. Isso costuma acontecer quando o volume ou a intensidade dos treinos aumentam rapidamente, sem que o corpo tenha tempo suficiente para se adaptar.
Além do excesso de treino, outros fatores aumentam o risco de desenvolver o problema, como alterações na biomecânica da corrida, fraqueza muscular, pouca mobilidade, falta de fortalecimento específico e falhas na progressão do treinamento. Muitas pessoas acreditam que basta colocar gelo e esperar a dor desaparecer. O gelo pode aliviar o desconforto, mas não resolve a causa da lesão.
O primeiro passo é reduzir temporariamente a carga de treino para permitir que os tecidos se recuperem. Em seguida, é importante identificar por que aquela sobrecarga aconteceu. Na maioria dos casos, o tratamento inclui fortalecimento dos músculos da panturrilha, dos pés, do quadril e do core, além da correção da técnica de corrida e de uma progressão mais gradual dos treinos.
Outro ponto importante é respeitar os sinais do corpo. Insistir em correr com dor pode fazer com que a sobrecarga evolua para uma fratura por estresse da tíbia, uma lesão muito mais séria e que exige um período maior de recuperação. A boa notícia é que a maioria dos casos pode ser evitada.
Aumentar a carga de treino gradualmente, fortalecer a musculatura, realizar um bom aquecimento antes da corrida e cuidar da técnica são medidas que ajudam a reduzir significativamente o risco de desenvolver a canelite. Evidências recentes também mostram que programas de treinamento neuromuscular estão entre as estratégias mais eficazes para prevenção.
A dor não deve fazer parte da rotina de quem corre. Ela é um sinal de que o corpo está pedindo uma mudança. Quanto mais cedo você entender esse aviso, maiores serão as chances de continuar correndo com segurança, sem interromper seus treinos e sua evolução.
Sobre a colunista
Fabiana Murer assina a coluna Vida Ativa na Inspira FM, com conteúdos sobre movimento, corrida, rotina saudável e formas práticas de transformar o exercício em parte da vida cotidiana.