
FITNESS SEM MITO
Por Fernando Abilio Pereira
Personal trainer em Campinas, traduz treino, saúde e atividade física em orientações práticas para diferentes objetivos e rotinas.
Agachamento faz mal para o joelho? Ou será que o problema está na forma como ele é feito?
Entenda por que a execução, a carga e as limitações de cada pessoa devem ser consideradas antes de culpar o agachamento pela dor.
Essa é uma dúvida que escuto bastante, principalmente de quem já sentiu dor no joelho ou ouviu que agachamento estraga o joelho, mas colocar o agachamento como vilão é simplificar demais a questão.
O agachamento é um dos movimentos mais completos que podemos fazer. Trabalha principalmente pernas e glúteos, além de exigir bastante controle do corpo durante o movimento.E não existe uma regra dizendo que agachar faz mal para o joelho. O que precisamos considerar é a combinação de carga, amplitude, técnica, mobilidade e capacidade atual da pessoa.

Se você tem dificuldade para realizar determinado agachamento, talvez seja necessário adaptar o movimento e trabalhar algumas limitações antes de aumentar a dificuldade. A mobilidade também entra nessa conta. Tornozelo, quadril e até a região torácica podem influenciar a maneira como cada pessoa realiza o momento. Quando existe alguma limitação, o corpo pode acabar compensando.
E tem outro ponto importante: sentir algum desconforto durante um exercício não significa automaticamente que você precisa abandoná-lo para sempre. É preciso entender o contexto, observar a intensidade da dor e perceber como o corpo responde ao exercício e à progressão.
Também não existe essa regra de que o joelho “não pode passar da ponta do pé”. Dependendo da pessoa, da técnica e do objetivo, o joelho pode sim avançar à frente dos dedos.
Mas e se o joelho dói durante o agachamento? Antes de simplesmente abandonar o exercício, algumas estratégias podem ajudar:
- Diminua a amplitude temporariamente.
Se o desconforto aparece principalmente no final do movimento, experimente não descer tanto por enquanto e vá aumentando a amplitude gradualmente. - Reduza a carga.
Diminuir o peso pode permitir uma execução mais controlada e confortável, principalmente quando a carga está acima do que você consegue controlar bem. - Trabalhe a mobilidade e experimente outra variação.
Se existe uma limitação de tornozelo ou quadril, por exemplo, trabalhar essa mobilidade pode melhorar o movimento. Enquanto isso, variações como agachamento no banco, no smith ou com apoio podem ser alternativas interessantes.
Essas estratégias não significam que toda dor no joelho pode ser resolvida apenas mudando o exercício. Se a dor for persistente, intensa ou estiver piorando, o ideal é buscar uma avaliação individualizada.
O agachamento não precisa ser tratado como vilão. O exercício certo é aquele que você consegue executar com qualidade, dentro da sua capacidade atual, e que permite evoluir aos poucos. E quanto mais você entende seu próprio corpo, mais fácil fica encontrar a melhor forma de treinar.
Sobre o colunista
Fernando Abilio Pereira assina a coluna Fitness sem Mito na Inspira FM, com conteúdos sobre treinamento, atividade física e escolhas mais conscientes para uma rotina ativa.