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Comparação, autoestima e sororidade: as lições que aprendi trabalhando como modelo

Wendy Meira
Bem Estar Feminino
Por Wendy Meira

Jornalista, publicitária e apresentadora, reúne comunicação e comportamento para abordar bem-estar, imagem e diferentes questões do universo feminino.

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Desde muito pequena, eu queria ser modelo. Lembro de, aos seis anos, fazer aulas de passarela e posar para o meu primeiro book. Logo depois vieram os concursos de modelo — e, com eles, começaram também as comparações e a rivalidade com outras meninas.

Foi então que me profissionalizei na área. Os castings, que podem ser entendidos como seleções para campanhas, desfiles e outros trabalhos, passaram a fazer parte da minha rotina.

E, a cada casting, a insegurança aparecia.

“Aquela menina é mais alta do que eu.”
“O cabelo dela é muito mais bonito.”
“Ela tem uma passarela impecável.”
“Eu não sou tão boa quanto ela.”

E assim os dias aconteciam. Durante o período em que morei a trabalho na China, passávamos um dia inteiro dentro da van da agência, indo de um teste para outro, sempre cercadas por mulheres lindas, cada uma com uma beleza e um estilo próprios. A concorrência era grande! Muitas vezes, voltávamos sem fechar nenhum trabalho. Às vezes, conseguíamos um.

Além da disposição física necessária para aquela rotina, havia outra coisa que também precisava ser cuidada: a saúde mental. E, com ela, a autoestima.

Naquela época, eu acreditava que as meninas ao meu lado diminuíam as minhas chances. Era quase automático enxergar a beleza, o talento e a segurança das outras como uma ameaça. Hoje percebo que essa lógica não faz sentido. O espaço de uma mulher não precisa existir à custa da outra.

Talvez a sororidade comece justamente quando entendemos isso: admirar outra mulher não nos torna menores. O brilho dela não apaga o nosso. Pelo contrário, quando deixamos de competir por um lugar que acreditávamos ser único, abrimos espaço para reconhecer aquilo que cada uma carrega de singular. Um olhar com mais empatia, respeito e apoio mútuo. 

Sororidade: por que precisamos falar sobre isso? | Politize!
Reprodução: Google

Hoje, vejo tudo isso com mais maturidade e consigo enxergar a comparação de outra maneira. Se um cliente quisesse estampar seu catálogo com uma mulher morena, de cabelos ondulados e um sorriso como o meu, aquela oportunidade seria minha. Não existe ninguém no mundo exatamente igual a mim. Ninguém tem a mesma combinação de características, experiências, talentos, história — e até mesmo inseguranças.

Ter essa inteligência emocional faz toda a diferença. Porque, quando passamos tempo demais desejando ser iguais a alguém, deixamos de enxergar aquilo que só nós podemos oferecer. A comparação faz com que olhemos tanto para o que nos falta que acabamos esquecendo de reconhecer tudo o que já existe em nós.

Amadurecer também é aprender a olhar para outra mulher sem transformar a existência dela em uma medida para a nossa. Ela pode ser linda, talentosa, segura e diferente de mim. E, ainda assim, eu continuo sendo eu, com todas as minhas características. E aqui está o grande diferencial.

Sobre colunista

Wendy Meira assina a coluna Bem Estar Feminino na Inspira FM, com conteúdos sobre comportamento, imagem, autocuidado e temas que atravessam a vida da mulher contemporânea.

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