Envelhecer precisa ser sinônimo de amar estar vivo
Tenho me questionado um pouco mais, nos últimos anos, sobre envelhecimento. Não só pelo fato de já sentir alguns efeitos do tempo em mim, mas também por acompanhar de perto as mudanças dos meus pais e avós.
As consequências do envelhecimento acontecem de formas diferentes para cada pessoa, mas existe algo que não muda: os anos passam para todos nós. Não dá para fugir. E, sabendo disso, penso no quanto é importante começar a refletir sobre a forma como desejamos chegar à “Melhor Idade”.
O Brasil, aliás, já está envelhecendo. Dados do IBGE mostram que a parcela da população com 60 anos ou mais passou de 8,7% em 2000 para 15,6% em 2023. E a projeção é que esse grupo represente 37,8% da população brasileira em 2070.
Muito se fala sobre a importância das atividades físicas para chegar da melhor forma a esse período da vida, e elas realmente têm um papel importante para a mobilidade, a força, o equilíbrio e a independência na velhice. Mas, antes mesmo disso, penso que fazem diferença as escolhas que tomamos hoje.
A escolha diária por nos exercitar, por nos alimentar da melhor forma possível, cuidar da saúde, por manter vínculos, fazer questão dos amigos, continuar interessados e curiosos pelo mundo que nos cerca. São pequenas decisões que, somadas ao longo dos anos, ajudam a construir a maneira como chegaremos lá. Inclusive, tem algo curioso, e que eu adoro, em meu pai: ele faz planos e tem desejos de um cara de 30! Tanto que, muitas vezes, precisamos ponderá-lo para que ele também consiga curtir mais o presente.

Envelhecer não é fácil. Ver o tempo passar sem que possamos controlá-lo também não. E penso especialmente na aparência, porque, para nós, mulheres, essa relação pode ser ainda mais delicada. Hoje existem muitos recursos capazes de amenizar alguns efeitos do tempo, mas existe uma verdade da qual não conseguimos escapar: o corpo e a aparência realmente vão mudar.
Sendo assim, é importante ter maturidade para aceitar essas mudanças e lembrar que elas não podem nos impedir de continuar desfrutando da vida que ainda corre em nós. De olhar para todas as oportunidades que já tivemos (e que tantas pessoas não tiveram) e também para tantas possibilidades que ainda podem acontecer.
Porque, para viver, experimentar, desejar, fazer planos e aproveitar o que a vida oferece, o que importa não é a aparência, mas sim o desejo de viver! Envelhecer precisa ser sinônimo de amar estar vivo.
