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A casa para onde ainda quero voltar

MAIS QUE MÃE

Por Aliene de Carli

Empresária, comunicadora e mãe, compartilha reflexões sobre maternidade, identidade, trabalho, relações e os diferentes aspectos da vida da mulher.

A casa para onde ainda quero voltar

Sobre crescer, construir a própria vida e continuar sendo filha(o)

 

Registro durante a visita à casa da minha mãe (Foto: Beatrice @bea.leong)

“Eu amo ficar aqui na sua casa, mãe”. Foi isso que disse a minha mãe na última visita a casa dela e do meu pai. Não sei o que ela sentiu quando eu falei, mas acredito que ouvir essa frase pode ser um dos maiores objetivos de vida de qualquer pai e mãe que sonhe um dia nunca perder o vínculo com seus filhos, ainda que este vínculo seja construído por meio de muitas variáveis ao longo do desenvolvimento da infância e adolescência. Posso dizer que também tenho esse objetivo muito claro.

A vida adulta exige muito de nós, e poder ter um lugar onde você pode baixar a guarda e não precisar decidir todas as coisas da casa e da rotina é, sem dúvidas, um ato de descanso mental e físico, pelo menos por alguns dias. E o que mais importa nisso tudo, é saber desfrutar desses dias. Completados recém 40 anos, ter uma mini férias na casa dos pais, junto com meu marido e filho, é a verdadeira riqueza da vida. 

Minha mãe, Adjanir Garcia, e eu (Foto: Beatrice @bea.leong)

Sim, posso reafirmar o quanto o cara lá de cima cuida de nós, visto que meus pais também têm o bônus de ter os melhores vizinhos de porta, a outra filha com seu marido. Minha irmã, grande companheira e seu marido, tio amoroso e atencioso com todos que o rodeiam, especialmente com meu filho. 

Amores genuínos e intensos são coisas raras de se ver.  Peço licença para te contar um pouco desse amor de família que tanto me preenche e me sustenta, pois acredito que nada tem mais sentido e valor do que ser cuidada nesta terra por uma família que preserva seus valores e simplicidade. Reconheço o grande privilégio de ter sido criada e cuidada por eles. Até hoje. 

Dito isso, posso afirmar que meus pais plantaram muito bem a semente da raiz que se desenvolveu; e poder voltar a minha origem para tomar da água do amor, do aconchego, cuidado e pureza é de uma sensação indescritível. Aliás, uma das melhores sensações. E de uma forma muito positiva posso retornar ao ninho. Retornar ao lar primário é experimentar novamente o lugar de filha, sem voltar a ser dependente, justamente porque houve liberdade para construir a própria vida. 

Com minha mãe Adjanir, meu filho Guilherme. (Foto: Beatrice @bea.leong)

Pois, qualquer tentativa de manter os filhos dependentes até a fase adulta pode ser um grande erro, já que filhos adultos não deveriam precisar voltar para a casa dos pais. Mas que enorme privilégio é poder retornar a casa deles porque queremos, porque amamos e nos sentimos acolhidos e vistos, como sempre foi na infância e na adolescência. E assim deveria ser na vida de todos, em todas as fases. 

Amar estar na casa dos meus pais carrega muito mais que carinho. Carrega gratidão, pertencimento e a certeza de que meus pais fizeram algo muito bonito: me ensinaram a sair, mas também construíram o desejo de voltar. Aos 40, continuo sendo filha, e talvez, esse seja o maior presente que a vida poderia me dar.

Sobre a colunista

Aliene de Carli assina a coluna Mais que Mãe na Inspira FM, com conteúdos sobre maternidade, identidade, carreira, relações, autocuidado e os muitos papéis que fazem parte da vida feminina.

Respostas de 3

  1. Que texto maravilhoso!!! Ter essa casa para onde voltar é um dos maiores presentes que a vida pode nos dar!! Ter pais presentes e poder compartilhar com eles as conquistas da vida adulta e uma dádiva!!!

  2. Aliene, chegar aos 40 anos é um marco em todos os sentidos na vida da mulher e trás uma clareza diferente sobre a própria trajetória.
    A maturidade permite enxergar os pais não mais com o olhar idealizado da infância ou o olhar crítico da juventude, mas com empatia, gratidão e respeito profundo pelas origens e pela simplicidade.
    Depois de uma certa idade, enxergamos os nossos pais como amigos, companheiros de caminhada.
    Os ensinamentos ficam mais latente com o passar dos anos e refletimos a criação dos nossos filhos com o que aprendemos do convívio familiar .
    Qdo se casa, a família do marido e ou da esposa começa a fazer parte tbem deste círculo familiar, desta criação de aprendizado.

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