Viajar é sempre uma experiência enriquecedora e transforma a vida em uma grande aventura. Existe algo de transformador em conhecer outras culturas, percorrer novos caminhos, ouvir outros idiomas, experimentar sabores desconhecidos e perceber que o mundo é muito maior — e mais diverso — do que imaginávamos.
E, nos últimos anos, viajar sozinha deixou de ser exceção para se tornar escolha. Uma escolha que fala sobre liberdade e independência. Mas nem sempre foi assim.
No Brasil, foi apenas em 1962, com o Estatuto da Mulher Casada, que as mulheres começaram a conquistar maior autonomia jurídica e civil, deixando de depender formalmente da autorização do marido para exercer diferentes aspectos da própria vida, incluindo o direito de exercer sua vida profissional, gerir o próprio patrimônio e de viajar.
Foi um marco importante na emancipação feminina e na construção de direitos mais igualitários.
Um direito conquistado apenas na década de 60, mas que ainda hoje não garante a segurança necessária. Segundo a pesquisa Mulheres que Viajam Sozinhas, realizada entre agosto e setembro de 2025 pelo Ministério do Turismo em parceria com a UNESCO, 62% das entrevistadas afirmaram já ter desistido de viajar sozinhas por questões de segurança. Além disso, 61% disseram já ter vivido alguma situação que as fez se sentir inseguras durante uma viagem desacompanhada.
Os dados ajudam a traduzir uma sensação comum entre muitas mulheres: o desejo de liberdade frequentemente vem acompanhado da necessidade constante de vigilância.
Recentemente, o Ministério do Turismo lançou o Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas, uma publicação inédita que reúne dados, análises e orientações práticas para incentivar um turismo mais seguro, responsável e inclusivo para o público feminino.
O material recomenda, por exemplo, criar redes de apoio antes mesmo da viagem. Conversar com outras mulheres, buscar referências locais, acompanhar perfis de viajantes e pesquisar experiências reais pode fazer diferença não apenas na organização do roteiro, mas também na sensação de acolhimento e segurança.
Outras questões de grande importância são o planejamento antecipado, a escolha de hospedagens bem avaliadas e a atenção aos deslocamentos — especialmente durante a noite. Além disso, o seguro viagem aparece como um aliado importante diante de imprevistos e emergências.
Mas talvez exista algo ainda mais profundo nessa conversa:
Viajar sozinha também é um exercício de confiança em si mesma.

É descobrir que podemos atravessar aeroportos, cidades e países inteiros sem abrir mão da nossa essência. É perceber que independência não significa ausência de medo, mas presença de coragem.
As mulheres que vieram antes de nós lutaram para que hoje pudéssemos ocupar o mundo com mais liberdade. E exercer esse direito — com consciência, informação e segurança — também é uma forma de honrar essa trajetória.