
BELEZA COM SAÚDE
Por Dra. Carolina Gutierrez
Médica com atuação em dermatologia clínica e estética, aborda saúde da pele, prevenção, cuidados dermatológicos e estética médica.
Skincare coreano: funciona mesmo ou é só hype?
O que existe de ciência por trás da febre da K-beauty e o que merece um pouco mais de cautela

Se você já passou alguns minutos nas redes sociais, provavelmente encontrou algum produto coreano prometendo “glass skin”, hidratação intensa, poros invisíveis ou uma pele mais jovem.
A K-beauty conquistou o mundo, e não é difícil entender o motivo. Os produtos costumam ter texturas agradáveis, fórmulas sofisticadas e uma grande variedade de ativos. Em 2026, ingredientes como PDRN, centella asiática, niacinamida e mucina de caracol continuam aparecendo com força nas tendências de skincare. Mas existe uma pergunta mais importante do que “qual produto está viralizando?”:
Ele realmente faz sentido para a minha pele?
A resposta é que muitos cosméticos coreanos podem, sim, ser excelentes. O fato de um produto ser coreano não o torna automaticamente melhor, assim como também não significa que ele seja ruim ou pouco confiável. O problema começa quando a tendência substitui a avaliação da pele.
Um dos grandes méritos da K-beauty foi popularizar a ideia de cuidar da barreira cutânea, hidratar e prevenir antes de tentar corrigir problemas mais avançados. E a literatura científica reconhece diversos ativos presentes nos cosméticos coreanos como interessantes para a saúde da pele.
Mas existe uma diferença importante entre um ingrediente ter evidência e um determinado produto entregar o efeito prometido.
Concentração, formulação, estabilidade, veículo, combinação de ativos e qualidade do produto interferem diretamente no resultado. E, em algumas formulações comercializadas internacionalmente, nem sempre é fácil para o consumidor avaliar essas características.
Há ainda uma questão prática para quem compra produtos diretamente de fora: armazenamento, transporte, procedência e autenticidade. No Brasil, cosméticos comercializados legalmente precisam seguir as regras sanitárias aplicáveis da Anvisa, e produtos importados precisam ter uma empresa brasileira responsável pela comercialização.

Por isso, comprar diretamente de marketplaces ou de vendedores desconhecidos pode trazer uma preocupação que vai muito além de “ser original ou falsificado”.
Outro cuidado é com as rotinas enormes. A antiga fama da K-beauty ficou associada a dez ou mais etapas, mas a própria tendência atual caminha para rotinas mais enxutas e inteligentes. Na prática, você não precisa de dez produtos para ter uma pele saudável.
Uma boa rotina deve começar pelo básico: limpeza adequada, hidratação quando necessária e fotoproteção. Depois, entram os ativos específicos de acordo com o objetivo e as características de cada pele.
E há uma regra que vale para qualquer tendência de beleza: viral não é sinônimo de eficaz.
Antes de comprar o produto que apareceu dezenas de vezes no seu feed, pergunte: qual é o ativo? Qual é a evidência? Para qual problema ele é indicado? Minha pele realmente precisa disso?
Skincare não precisa acompanhar todas as tendências. Precisa acompanhar a sua pele.
Porque cuidar da pele não é seguir uma moda. É fazer escolhas conscientes. E, quando necessário, contar com a orientação de quem entende dela.
Sobre a colunista
Dra. Carolina Gutierrez assina a coluna Beleza com Saúde na Inspira FM, com conteúdos sobre dermatologia, prevenção, cuidados com a pele e estética associada à saúde e ao bem-estar.